Leituras de Verão

O mais recente livro de Jaime Rocha conta a história tragica de Mateus. Nesta narrativa forte e agreste que retorna ao tema do mar da Nazaré, o autor procura fazer uma reconstrução literária das memórias da infância de Mateus, uma experiência dura e que reflecte o destiescola de náufragosno trágico dos pescadores e das suas famílias.

Como o autor diz, no primeiro parágrafo, “é a visão do real que se reflecte no pensamento de uma criança”, mas é também a presença do mal que se impregna na casa que Mateus habita. Porém, o mal vem também do mar, dessa maldição que corrói a vida dos pescadores e das mulheres da Nazaré, que convivem diariamente com a morte e com a forma como a vida dos seus homens lhes é roubada pelo mar. Vestidas de negro, vítimas do destino e da tragédia: “É do mar que vêm os gritos que caem em cima da criança como uma pedra (…)” (p. 10). Ser criança num universo em que o único sorriso parece ser o que dele emana, é o que marca a infância de Mateus, filho e neto de pescadores, convivendo com a cantilena diária das carpideiras e a memória dos mortos.

A revolta de Mateus, face a tudo o que o rodeia, a ausência do pai, que partiu para a pesca do bacalhau, a doença do avô e uma atmosfera sufocante de luto e pesar, emerge como um gesto de afirmação vital.

“No olho deste furacão lírico estão duas pessoas, um homem e uma mulher, que trazem atreladas a si uma série de questões de resolução complicada ou (im)possível. Vicente e Maria Luís conhecem-se, por um acaso, em casa de uma amiga – a narradora desta estória. capa-ate-jerusalem-PRINTEle é especialista em História Contemporânea, é professor, está temporariamente separado e ultima a sua obra literária. Além disso, está de partida para terras de Vera Cruz, para leccionar. Ela, artista plástica, faz esculturas e adoptou o nome artístico Kowalevsky, depois de uma ocasional descoberta ao vasculhar missivas esquecidas do passado familiar. Do encontro, brota uma paixão que não acaba bem. Maria Luís é seropositiva.

Enquanto está no Brasil, Vicente conhece alguém, um colega, David, de apelido – verdadeiramente – Kowalevsky, nome de origem judaica, descendente de imigrantes refugiados do Holocausto. A coincidência, ou talvez não, leva-o a pesquisar a origem do apelido, o seu destino. A investigação, qual vertigem, leva Vicente à orla de Iossef, um refugiado polaco que zarpou de Danzing, actual Gdansk, com destino a Inglaterra mas que fez “escala” nos Açores antes de assentar amarras na América do Sul.” (Carlos Eugénio Augusto)

apoteoseO primeiro volume da Obra Completa de Casimiro de Brito, Apoteose das Pequenas Coisas, acaba de sair pela editora Lua de Marfim. Com uma obra vastíssima, tanto no género da poesia, como na ficção, Casimiro de Brito encontra-se traduzido em várias línguas e traduziu também várias obras de poesia, sendo a sua escrita esse corpo de confluências e passagens entre as várias línguas e os vários géneros poéticos, como a poesia erótica e a poesia japonesa (haiku). É uma poética do ínfimo e do detalhe, esta a que o poeta Casimiro nos habituou desde sempre, caminhando entre os poetas clássicos e os Antigos, mas estando também atento às grandes vozes poéticas da modernidade.

 

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