Isabel Ramos: o sentido da (des)ordem

Um universo inquietante, perturbador e isso seria ainda dizer pouco, pois não se trata apenas da estranheza das personagens, das leis que nos escapam, dos gestos que ultrapassam os seus autores. Há também aqui uma escrita que se destaca pelo seu rigor limpo, pela sua depuração que denuncia um trabalho moroso de escriba e uma agilidade na construção dos contos que revela um trabalho prévio de encenação, para encontrar no conto um acabamento perfeito. Uma escrita que revela, também, uma leitura (e transfigurada) de autores como Beckett ou Michaux, dos mestres do absurdo na literatura. Continue reading Isabel Ramos: o sentido da (des)ordem

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Que os cravos nos sejam eternos

Para o meu pai (In Memoriam) Eu deveria andar por esta idade, há 43 anos, quando se deu a revolução dos cravos. Não vivia em Portugal, nessa altura, mas sim em Angola. Pertenci ao rol dos que regressaram após o 25 de Abril, aquando da independência e da libertação das colónias, com o final daquela que foi (e ainda é) a maior ferida da nossa … Continue reading Que os cravos nos sejam eternos

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Marcia Tiburi: a escrita como o “lugar da ética”

 Há algo que não combina com a hospitalidade portuguesa e Marcia Tiburi. Somos lestos, em Portugal, em receber poetas brasileiros, ficcionistas brasileiros, músicos e artistas brasileiros. Somos lestos, cedemos aos encantos daquela língua que mais se assemelha a um canto e quando regressam ao Brasil têm que deixar garantido o seu regresso. Vejam-se os casos de Caetano Veloso ou de Chico Buarque, de Adriana Calcanhoto, … Continue reading Marcia Tiburi: a escrita como o “lugar da ética”

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“Não quero ser nada”

Entrevista minha concedida a Paulo José Miranda, para o jornal “Hoje Macau” Tens uma obra dividida pelo ensaio e pela poesia, e ambas reconhecidas. Gostava que falasses acerca do modo como entendes cada uma delas, no teu modo de escrita, e também em relação aos outros, ou seja como vês essas escritas para além da tua. Creio que sou mais reconhecida no ensaio do que … Continue reading “Não quero ser nada”

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Do pó

Para o meu pai Talvez seja só isto. Uma mão que anoitece os dias e que impede a luz de permanecer. Não teremos senão o chão que pisamos, o amor que nos é concedido, o quinhão permitido. E lembro-me, recordo-me sempre dos momentos que antecediam a noite e tu chegavas, mas antes de ti chegava a alegria. O riso malandro, o sarcasmo com que a … Continue reading Do pó

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De um rio que se sonha e canta

842 A língua que falamos não é apenas uma fonte originária. É também uma respiração. É também um destino. Cada vez é a primeira e a última vez. Haverá mais rios mas só neste, e agora, me banho. E naufrago.   Já não me lembro em que momento mergulhei no leito deste rio que é a escrita e a poesia de Casimiro de Brito. Segui-lhe o … Continue reading De um rio que se sonha e canta

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Leituras de Verão

O mais recente livro de Jaime Rocha conta a história tragica de Mateus. Nesta narrativa forte e agreste que retorna ao tema do mar da Nazaré, o autor procura fazer uma reconstrução literária das memórias da infância de Mateus, uma experiência dura e que reflecte o destino trágico dos pescadores e das suas famílias. Como o autor diz, no primeiro parágrafo, “é a visão do … Continue reading Leituras de Verão

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Europa, eira do exílio e da vingança

Rui Nunes, A crisálida. Lisboa: Relógio d’Água, 2016, 46 p. Recebeste mais do que deste para me salvar, como te vou demonstrar. Em primeiro lugar, habitas na terra dos helenos, em vez da dos bárbaros, conheces a justiça e sabes usar das leis, sem recorrer à força.[1] Acolhendo na sua argumentação o valor negativo que adquirira em Atenas o conceito de “bárbaro”, em oposição ao … Continue reading Europa, eira do exílio e da vingança

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Prémios do PEN Clube Português (shortlist)

Short list dos prémios PEN, patrocinados pela DGLAB e divulgada em 28.9.2015, para as obras de Poesia, Ensaio e Narrativa publicadas em 2014: Poesia “A Misericórdia dos Mercados”, de Luís Filipe Castro Mendes; “Entrepoemas”, de J. Alberto de Oliveira; “Os Armários da Noite”, de Alice Vieira; “O Tempo é Renda”, de Isabel Mendes Ferreira; “O Vidro”, de Luís Quintais. Ensaio “António Lobo Antunes. A Desordem … Continue reading Prémios do PEN Clube Português (shortlist)

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