Jorge Luís Borges: o poeta cabalista

Começo a compreender o que Jorge Luís Borges queria dizer, quando afirmava, nas suas entrevistas, que já só relia. Na minha sofreguidão de adolescente, todo o tempo de que dispunha era para ler, autores que desconhecia, poetas, ficcionistas, ensaístas. Não compreendia verdadeiramente o que significava esse acto de releitura, de regresso aos clássicos, confundindo-os naquele… Read More

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Do Ofício Poético como Alquimia

O poeta António Gedeão desapareceu há vinte anos. A sua última obra foi Memórias, uma magistral biografia, publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, 2010. Rómulo de Carvalho atravessou o século XX. Nascido no ano de 1906, o poeta conheceu uma vida discreta, longe dos salões literários, que nunca o atraíram. Foi, durante toda a sua vida,… Read More

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«Não te quero só palavra agnóstica»: Gabriela Rocha Martins

  agora-a-memória .agora o sopro  da face impressa sob a derme .depois  o canto-do-cisne em resguardo-amansado  pelo medo .depois um rasgo de vulgaridade Gabriela Rocha Martins, “A crispação de um toque a-fora o ser” Se uma paixão pudesse dizer-se de Gabriela Rocha Martins, essa seria a da memória. Não só como exercício poético, mas como… Read More

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O Azul de amendoeiras que são brancas

Todo o pensamento começa por um poema. Alain, Commentaire sur «Le Jeune Parque», 1953. Quando as águas da filosofia se cruzam com as da poesia é natural que o rigor do pensamento escape por entre as suas margens e correntes, extravasando-as. O modo como as intuições e as múltiplas figurações do sentido as atravessam desafiam a formulação… Read More

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Poemas de Alberto Pereira

 Poema II (Livro – Poemas com Alzheimer)   Os poemas não gostavam do meu bairro. A miséria era um arranha-céus, por isso, quando me perguntavam onde morava, dizia, Nova Iorque.   Havia homens com vinho no lugar do sangue. As mulheres cheiravam a um velório eterno, as crianças diziam coisas que os carteiros desconheciam.  … Read More

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Entrevista com Eucanaã Ferraz

Entrevista realizada em 2002 para a revista “Digestivo Cultural” e recordada aqui, agora que a obra de Eucanaã Ferraz foi reunida e publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Eucanaã Ferraz nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de maio de 1961. Formou-se em Letras e realizou o mestrado em literatura brasileira pela UFRJ, com a… Read More

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Manuel António Pina: o homem que não gostava de falar da poesia que escrevia

Há um deus único e secreto em cada gato inconcreto governando um mundo efémero onde estamos de passagem Um deus que nos hospeda nos seus vastos aposentos de nervos, ausências, pressentimentos, e de longe nos observa Somos intrusos, bárbaros amigáveis, e compassivo o deus permite que o sirvamos e a ilusão de que o tocamos In Como se… Read More

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Eros, Fragmento e Orientalismo na obra de Casimiro de Brito

  Quem abriu a porta? Quem a fechou? Onde há porta? Onde não as há? Apoteose das pequenas coisas, p. 71.   Aquilo que me prende à escrita de Casimiro e, sobretudo, à sua poética, que leio e releio um pouco ao acaso porque a ela sempre volto como um gesto antigo – descobri Casimiro… Read More

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De um rio que se sonha e canta

842 A língua que falamos não é apenas uma fonte originária. É também uma respiração. É também um destino. Cada vez é a primeira e a última vez. Haverá mais rios mas só neste, e agora, me banho. E naufrago.   Já não me lembro em que momento mergulhei no leito deste rio que é a… Read More

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