Afrin

Para Hussein Hasbach

 

Dizem que o pesadelo dos soldados do Estado Islâmico

é ser morto por uma mulher,

dizem que não terão as 72 virgens

nesse paraíso sonhado que os espera.

 

E elas, Peshmerga, enfrentando a morte,

olhos de tigre, saltam-lhes ao caminho como demónios

livres e sem véus, implacáveis,

elas que, no amor e nos filhos, respiram a ternura

e a salvação.

 

Ceylan matou-se com a última bala de que dispunha,

talvez tivesse tido medo nessa hora,

mas o tempo não é para medos nem delongas

e Ceylan também não sabe ser heroína

que isso é para as ocidentais plasmadas

No tédio das suas vidas vazias,

entregues à contemplação de miragens,

criadas pelos que vendem a morte

em longínquas paragens.

 

Arin fez-se explodir, para não cair em mãos inimigas,

O seu corpo matou tantos quanto pôde,

em nome de um povo, que só na alma e no coração

conhece a sua pátria, ardendo

no olhar das suas crianças, quietas,

à espera do futuro, que silva entre as balas

e o sangue, as vísceras dos seus mortos.

 

Em Efrin, só a morte canta,

só ela floresce, petrificando,

diante da nossa indiferença gelada, muda.

 

Maria João Cantinho, 04/03/2018

 

 

 

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