Herberto Helder deixou-nos

Herberto Helder (Novembro de 1930 – 24 de Março de  2015) deixou-nos. Morreu, aos 84 anos, na segunda-feira, em Cascais. Era unanimemente considerado o maior poeta português da segunda metade do século XX.
No ano passado publicou “A Morte Sem Mestre”, pela chancela da Porto Editora — numa edição que incluía um CD com cinco poemas ditos pelo autor. Em 2013 publicou “Servidões”. Desde a publicação de “A Faca Não Corta o Fogo”, em 2008, tornou-se um caso de consenso crítico quase absoluto. Tal como os anteriores livros de Herberto Helder, “A Morte Sem Mestre” teve uma única edição, tendo-se esgotado rapidamente.

Herberto Helder frequentou a Faculdade de Direito, mas abandonou o curso para se inscrever em Filologia Românica, que também não terminou. Ao longo da sua vida colaborou em diversos jornais, entre os quais o “Jornal de Letras e Artes” e, em 1969, foi director literário da editorial Estampa. Foi também meteorologista na Madeira, delegado de propaganda de produtos farmacêuticos e redactor de publicidade em Lisboa. Frequentou o grupo do Café Gelo, formado por Mário Cesariny, Luiz Pacheco, Helder Macedo, João Vieira e António José Forte.

Em 1958, o poeta publicou o seu primeiro livro, “O Amor em Visita”. Nos anos seguintes viveu em França, Holanda e Bélgica, tendo vivido na clandestinidade em Antuérpia. Em 1960 regressou a Portugal e tornou-se encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi para Angola em 1971, como repórter de guerra, sofreu um grave acidente e esteve hospitalizado três meses. Regressou a Lisboa e partiu novamente para os Estados Unidos, em 1973, ano em que publicou “Poesia Toda”. Regressaria a Portugal depois da Revolução de Abril, em 1975, para trabalhar na rádio e em revistas e foi editor da revista literária Nova. Foi também tradutor de poesia.

Em 1994, foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa pela sua obra que, segundo o júri, iluminava a língua portuguesa. Herberto Helder, no entanto, recusou a distinção, uma das mais importantes atribuídas em Portugal. Recusou também o Prémio Pen Clube na modalidade de Poesia. Manteve-se durante toda a vida à margem das honrarias e dos prémios.

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