Poemas de Alberto Pereira

 Poema II (Livro – Poemas com Alzheimer)   Os poemas não gostavam do meu bairro. A miséria era um arranha-céus, por isso, quando me perguntavam onde morava, dizia, Nova Iorque.   Havia homens com vinho no lugar do sangue. As mulheres cheiravam a um velório eterno, as crianças diziam coisas que os carteiros desconheciam.   […]

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Poemas do esquecimento

Publico agora o texto de apresentação do livro de Alberto Pereira, “Poemas com Alzheimer”. Mais vale tarde do que nunca. Este é o terceiro livro de Alberto Pereira, que já havia publicado anteriormente O áspero hálito do amanhã (2008) e Amanhecem nas rugas precipícios (2011). Conquistou, com a sua obra, vários prémios literários, que, modestamente, […]

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A Besta

De que tempo somos, agora que a tempestade sopra de novo e ao céu sobe este monte de ruínas devastação anoitecendo o mundo   tenta lembrar-te de que lado veio um dia o alerta, de que armário saiu este cortejo de sombras onde se gravou o que a história deixou escapar, nas malhas do mito […]

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Arqueologia de um Rosto

“Não vou mandar limpá-lo”, decidiu. Decidiu o homem da mercearia que deixara amarrotar o rosto pelas vielas enquanto descia a calçada e os olhos, manchados de sonhos antigos, resvalavam para dentro. Um pássaro morrera, empurrado pelo vento e eram tantos, tantos os rostos que atravessavam o silêncio das ruas as mulheres usavam-nos como vestidos modernos […]

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Poema de Isabel Aguiar

… a única luz é um fio e não há nada a perder nunca há alguma coisa contrária à sua natureza o vosso rosto levanta-se com o sol o entorno é este pranto dos pássaros esperanto esperando-vos pão e côdea reunidos a caminho da mesma boca sem peixe o pássaro pode ser alcançado pelos gatos. […]

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Da memória I

antes disso havia a sombra o pai a dormir a sesta e o rumor do mar ao fundo talvez me falseie a imagem mas esse azul atlântico a arder no vento, essa luz única, a céu aberto e tudo era tão lento porque o tempo não tinha distracções nem se deixava comer por rigores de […]

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Partes Lentamente da Vida

Partes lentamente da vida num barco ébrio de sangue onde se inscreve a pele da noite nesse festim. Dobras o vento, esse uivo que chega do Norte, nas pegadas de um silêncio  interdito e em que calas os nomes desenhados na lucidez das mãos. Ninguém lê as pedras, os sinais, Ninguém decifra o traço de […]

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