Balada de Czernowitz

Ter-lhe-á dito que não era legítimo Escrever poesia nas costas dos mortos de Auschwitz. E que fazer, se os olhos lhe doíam e a língua queimava que fazer se o vidro lhe entrava tão dentro da pele e nada parecia sobreviver senão o som do violino compassando o ar vazio, o baque dos corpos o […]

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Dobrados

Dobrar o corpo ou a língua, tanto faz para que a sombra nos salve destes dias, sabes, em que nada parece  viver a não ser um certo modo de indigência a que todos se consentem, talvez por medo de não haver amanhã, ou uma grandeza qualquer as palavras trazem esse inferno, irrespirável insano, sem lugar […]

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Ritos de Passagem I

Sigo o passo lento dos animais, o ritmo milenar, o canto do ventoindicando o caminho dos nómadas. Ao dia sucede a noite,enquanto seguimos, lentamente,lendo uma outra escritaque se desenha nas estrelas,constelações, runas, vestígios mineraise pela madrugada dançamosem redor do fogo, embriagadoscomo se fôssemos deuses antigos. Maria João Cantinho

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Não procures

Não procures o verso grandiosoaquele que nos tolhe os passos,a nós, que não somos senão animais, embriagados de luzna orla do sonho Não queiras o saber que pesaaquele que nos aprisiona o olhar,a nós, que não procuramos senão a epiderme do instante e a vozdo vento, em asa veloz. Não queiras ser senão este animalde […]

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A mansidão das coisas

Não te abrigues na promessa. Viaja, apenas. desliza em ti, avança na mansidão das águas desce, simplesmente, à raíz das coisas. Lê os sinais na secreta página Deste silêncio que se demora na tarde.

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A mão

Partimos na frescura da manhã e só o coração nos guiava,ouvindo os sinais, a intermitência do ventoque percorria a floresta, escutando o murmúrio da fonte. E nada nos era vedado, pois a nossa busca era outrainumana e desmedida, por dentro dos nomes e dessa página aberta, que era a nossa viagem. E nada nos era […]

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Ferida de Luz

Eu não saberia nomear este frémitoque esconde a luz de uma feridanem a sombra, o desejo e a fomecavando os meus dias, em silêncio. Por instantes, acredito que voltarásrenasce a esperança como uma brisa suave,Por vezes, a ferida já não dói,e de repente o mar entra em mim,o mar em forma de desejo, violento,esse mar […]

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