A sombra de uma árvore visita-me


A sombra de uma árvore visita-me. O seu rumor de seiva
escoando-se antigo, nos veios da memória.
Lembro-me agora como houve um pássaro
nas páginas deste livro, que me persegue em sonhos.

Como certos objectos que nos perseguem, obstinados
no querer ser em nós, visitam-me as silhuetas de uma outra
existência demorada no silêncio,
retraem-se, ampliam-se, esboçam o contorno invisível
dos nomes que permanecerão mágicos, na nostalgia
das manhãs em que se acendia o mês de Junho.

Visita-me a aura que me assolava, quando o voo
dos flamingos nos acometia num espelho de sangue, pelo crepúsculo,
e nós sabíamos que essa imagem jamais se repetiria.

Visita-me o ritual, onde mulheres de seios nus
se entregavam ao deus que habitava o fogo,
na desmesura da noite.
Nós sabíamos que jamais poderíamos dançar assim
nós sabíamos que jamais poderíamos renascer
assim, no coração da luz.

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