Luís Miguel Nava ou do corpo como inscrição radical

Há quem de quanto escreve faça túneis através dos quais se move sem ser visto. Quando, por exemplo, eu digo ou escrevo eu ou ele, qualquer dessas palavras parte em busca de alguém a quem se ajuste. São palavras que sufocam, que boiam à deriva até encontrarem algo com que possam respirar.

Luís Miguel Nava, “Eu, Ele”, in Rebentação (Nava, 2002, p. 103).

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Jeanne-Marie Gagnebin: Walter Benjamin não pode ser mais um fetiche cultural

Partilho no Blog a entrevista de Jeanne-Marie Gagnebin, conduzida por Paulo Carvalho, para deleite dos benjaminianos. Para Jeanne Marie Gagnebin, uma das mais reconhecidas e admiradas pesquisadoras da obra de Walter Benjamin, deveríamos resistir à tentação de transformar os escritos do pensador alemão em mais um fetiche, em mais um “bem cultural” circulando em um […]

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Uma Poética dos Rastros

Procuro em cada coisa A Palavra de Deus/Olho e olho e nenhum som, gesto ou sopro. Joana Emídio Marques, Ritornelos Joana Emídio Marques, jornalista, publicou recentemente o seu primeiro livro de poesia, Ritornelos. Esta obra reúne três ciclos: “Ritornelos”, “Cânticos da Floresta” e “Litanias”. O título da obra confere-lhes uma unidade temática e musical, no sentido […]

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Os habitantes do jardim

Mas para quê/ Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa/ Não sei./ Outros ecos/Habitam o jardim. Vamos segui-los?/ Depressa, disse a ave, procura-os, procura-os/ Na volta do caminho. Através do primeiro portão,/ No nosso primeiro mundo./ Ali estavam eles, dignos, invisíveis (…). T.S.Eliot, Four Quartets Sentada na cadeira, a mãe ouvia os versos, balouçando-se […]

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No esplendor das coisas ameaçadas

Profano, profano, profano. Profano o tempo, profana a terra, profana a língua, profana a lei. Tempo e terra, língua e lei, sem outro tamanho que não aquele que por si próprios possam produzir. Causa e consequência, circunstância, condição, isso que a si mesmo, e contra a estrita ideia de civilização, se pesa, se mede e […]

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Da penumbra tocada pelo canto

A autora Isabel Aguiar é natural na Madeira e vive actualmente em Lisboa, licenciada em Literatura e professora de Português no Ensino Secundário. Estreou-se na poesia com a obra Bichos Instantâneos (com o grande poeta António Ramos Rosa), em 2002, em 2003 publica Nunca se Regressa ao Mesmo Lugar, regressa à poesia em 2014, com […]

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María Zambrano

A Dança da Metamorfose

Nunca compreendi o que era estar no tempo, o que era mudar, o que é agir. Sinto-me bem a moldar a metamorfose.    Maria Gabriela Llansol, Lisboaleipzig1, o encontro inesperado do Diverso, editora Rolim, Lisboa, 1994, p. 25. Incorpórea, a claridade da manhã dança. Quem não terá visto na claridade da manhã, na dança perfeita […]

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