Eduardo Prado Coelho

Nós Fomos Esperados sobre a Terra

Filósofo? Crítico literário? Cronista? Ficcionista? Historiador da cultura? Pensador? Não saberemos muito bem classificar o trabalho imenso de Walter Benjamin, autor que se tornou fundamental em qualquer tentativa para pensar a modernidade e os seus percursos contraditórios. Para uma certa esquerda europeia e sul-americana (foram frequentes as traduções no Brasil, onde se tornou um autor […]

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Ricardo Gil Soeiro

Estremecer e dizer outra vez o mundo

Conheci o autor em 2008, através de Walter Benjamin. Esse poderia ser um bom prenúncio de uma bela amizade, construída com base numa série de afinidades electivas. Essa, Celan, Blanchot, Steiner, Broch, Hoffmansthal, para citar uma pequeníssima parte dos autores que partilhamos. Ricardo Gil Soeiro é ensaísta e poeta, especialista num dos maiores pensadores da […]

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Partes Lentamente da Vida

Partes lentamente da vida num barco ébrio de sangue onde se inscreve a pele da noite nesse festim. Dobras o vento, esse uivo que chega do Norte, nas pegadas de um silêncio  interdito e em que calas os nomes desenhados na lucidez das mãos. Ninguém lê as pedras, os sinais, Ninguém decifra o traço de […]

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Balada de Czernowitz

Ter-lhe-á dito que não era legítimo Escrever poesia nas costas dos mortos de Auschwitz. E que fazer, se os olhos lhe doíam e a língua queimava que fazer se o vidro lhe entrava tão dentro da pele e nada parecia sobreviver senão o som do violino compassando o ar vazio, o baque dos corpos o […]

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Dobrados

Dobrar o corpo ou a língua, tanto faz para que a sombra nos salve destes dias, sabes, em que nada parece  viver a não ser um certo modo de indigência a que todos se consentem, talvez por medo de não haver amanhã, ou uma grandeza qualquer as palavras trazem esse inferno, irrespirável insano, sem lugar […]

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Traço e Ruína na Obra de Nuno Júdice

No seu texto «Le Murmure», escreve Francis Ponge: “a função do artista é assim bastante clara: deve abrir uma oficina e aí tomar em reparação o mundo, fragmento a fragmento, tal como ele lhe aparece. Não por que se tenha por um mágico. Apenas como um relojoeiro.” (PONGE 1971, 193). A minúcia é uma arte que […]

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