Batalha da Catuta

Na noite de 27 de Julho para 28 de Julho de 1961, desenrolou-se uma das batalhas do exército português contra as forças da UPA, em Angola, no distrito da Úcua, num local chamado Pedra Verde, que assim era designado pela formação granítica peculiar. Nesse combate o meu pai foi ferido  com gravidade. Albano Matos, no seu blog, chama-lhe alferes Pombinho, mas foi precisamente para não o identificar. Num texto que ele teve a enorme gentileza de me enviar, deparei com a frase de um jovem (o meu pai), que me encheu de admiração: «Cada um é livre para ter as suas ideias, mas é verdade que está muito sangue de Portugueses derramado pelos matos e pelos sertões desta terra. E muito dinheiro espalhado, de norte a sul. Parece-me que um dos males foi não tornarem isto independente, como o Brasil, quando ainda era possível. Ganhávamos todos.» Absolutamente contra o regime, filiado nas hostes de Humberto Delgado e estudante envolvido nas lutas estudantis contra o regime, ele foi parar, como tantos outros, a uma guerra que lhe era adversa, em todos os sentidos. Fica aqui um testemunho das posições políticas do meu pai, em pleno regime salazarista, com uma voz própria e sem medo de dizer o que pensava. Daí a sua ficha na PIDE e as perseguições de que foi alvo.

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