Marcia Tiburi: a escrita como o “lugar da ética”

 Há algo que não combina com a hospitalidade portuguesa e Marcia Tiburi. Somos lestos, em Portugal, em receber poetas brasileiros, ficcionistas brasileiros, músicos e artistas brasileiros. Somos lestos, cedemos aos encantos daquela língua que mais se assemelha a um canto e quando regressam ao Brasil têm que deixar garantido o seu regresso. Vejam-se os casos…

Custine, um escritor menor do século XIX

Pouco após a publicação de A Rússia em 1839, em maio de 1843, o célebre escritor e filósofo russo Aleksandr Ivanovitch Herzen (1812-1870), o qual teve um papel importante no pensamento político russo a partir de meados do século XIX e foi considerado o fundador do socialismo russo[1], escreveu entusiasticamente que este «era o livro…

“Não quero ser nada”

Entrevista minha concedida a Paulo José Miranda, para o jornal "Hoje Macau" Tens uma obra dividida pelo ensaio e pela poesia, e ambas reconhecidas. Gostava que falasses acerca do modo como entendes cada uma delas, no teu modo de escrita, e também em relação aos outros, ou seja como vês essas escritas para além da…

Do Ofício Poético como Alquimia

O poeta António Gedeão desapareceu há vinte anos. A sua última obra foi Memórias, uma magistral biografia, publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, 2010. Rómulo de Carvalho atravessou o século XX. Nascido no ano de 1906, o poeta conheceu uma vida discreta, longe dos salões literários, que nunca o atraíram. Foi, durante toda a sua vida,…

Camões e Baco nas redes sociais

Texto de Helder Macedo publicado na Revista Caliban Fui informado de que a professora brasileira Luiza Nóbrega me atacou, em termos desabridos, nas redes sociais, acusando-me de ter plagiado as suas ideias sobre a significação de Baco n’Os Lusíadas. O ataque teria derivado da minha conferência intitulada “Portugal, filho de Baco”, proferida no recente lançamento…

Um céu muito negro

A primeira semana do bufão Donald Trump, que transformou a Casa Branca num circo mediático, revelou-se pior do que imaginávamos. Nunca estive iludida acerca desta personagem histriónica, agora eleita por um povo que revela um profundo desespero e uma revolta muito bem direccionada contra as políticas anteriores. Nos meus piores pesadelos imaginei que uma parte…

Gabriela Rocha Martins

«Não te quero só palavra agnóstica»: Gabriela Rocha Martins

  agora-a-memória .agora o sopro  da face impressa sob a derme .depois  o canto-do-cisne em resguardo-amansado  pelo medo .depois um rasgo de vulgaridade Gabriela Rocha Martins, “A crispação de um toque a-fora o ser” Se uma paixão pudesse dizer-se de Gabriela Rocha Martins, essa seria a da memória. Não só como exercício poético, mas como…

Não fosse a ponta do iceberg não seria grave

A propósito de uma crónica de Patrícia Reis no Blog Delito de Opinião, em que a escritora manifestava a sua indignação pelo facto de não ter sido escolhida uma única mulher, na lista dos cronistas de vários órgãos de comunicação, para falar de 2017, vieram à liça alguns despiques. Parece que não só achavam o facto normal…

Do pó

Para o meu pai Talvez seja só isto. Uma mão que anoitece os dias e que impede a luz de permanecer. Não teremos senão o chão que pisamos, o amor que nos é concedido, o quinhão permitido. E lembro-me, recordo-me sempre dos momentos que antecediam a noite e tu chegavas, mas antes de ti chegava…

Montaigne: a vida como palimpsesto — Revista Caliban – Medium

Não há nenhuma existência constante, nem do nosso ser, nem do ser dos objectos. Nós, os nossos juízos e todas as coisas mortais vamos incessantemente fluindo e rolando. Não podemos aceder ao ser, porque toda a natureza humana está sempre no meio, entre o nascimento e a morte, e apenas dá de si mesma uma…