“tem que ser navegando a longa noite”*

Mais do que linguagem, a poesia é antes um «outro olhar», religando o que se encontra separado, reencontrando esse sentido que não havia. Uma convocação, do sagrado ou disso para o qual não há nome, mas que nos permite nomear, reconhecer cada gesto, cada planta, cada animal. Algo que não está para além, mas que existe no íntimo de cada coisa e que a Linguagem faz despertar. Neste sentido, então, um outro modo de olhar o ínfimo e devolver-lhe o fulgor ou o sopro.

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Jorge Luís Borges: o poeta cabalista

Começo a compreender o que Jorge Luís Borges queria dizer, quando afirmava, nas suas entrevistas, que já só relia. Na minha sofreguidão de adolescente, todo o tempo de que dispunha era para ler, autores que desconhecia, poetas, ficcionistas, ensaístas. Não compreendia verdadeiramente o que significava esse acto de releitura, de regresso aos clássicos, confundindo-os naquele […]

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Pensar a alegoria em Walter Benjamin

No dia em que se fizer a história da recepção de Walter Benjamin em Portugal, este livro da Maria João será uma chave fundamental para a compreensão da mesma. Ele situa-se como ponto charneira da segunda geração de leitores de Walter Benjamin, segunda geração que se segue e que é herdeira, uma herança, aliás, nada a contragosto contrariamente a outras heranças, de figuras como Filomena Molder, João Barrento ou Bragança de Miranda. O mais interessante, aliás, é ver como esta história percorre o livro de uma ponta à outra e como as clivagens e as diferenças que existem na recepção de Benjamin encontram uma tensão produtiva na própria formulação conceptual da alegoria.

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Que os cravos nos sejam eternos

Para o meu pai (In Memoriam) Eu deveria andar por esta idade, há 43 anos, quando se deu a revolução dos cravos. Não vivia em Portugal, nessa altura, mas sim em Angola. Pertenci ao rol dos que regressaram após o 25 de Abril, aquando da independência e da libertação das colónias, com o final daquela […]

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Marcia Tiburi: a escrita como o “lugar da ética”

 Há algo que não combina com a hospitalidade portuguesa e Marcia Tiburi. Somos lestos, em Portugal, em receber poetas brasileiros, ficcionistas brasileiros, músicos e artistas brasileiros. Somos lestos, cedemos aos encantos daquela língua que mais se assemelha a um canto e quando regressam ao Brasil têm que deixar garantido o seu regresso. Vejam-se os casos […]

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Custine, um escritor menor do século XIX

Pouco após a publicação de A Rússia em 1839, em maio de 1843, o célebre escritor e filósofo russo Aleksandr Ivanovitch Herzen (1812-1870), o qual teve um papel importante no pensamento político russo a partir de meados do século XIX e foi considerado o fundador do socialismo russo[1], escreveu entusiasticamente que este «era o livro […]

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“Não quero ser nada”

Entrevista minha concedida a Paulo José Miranda, para o jornal “Hoje Macau” Tens uma obra dividida pelo ensaio e pela poesia, e ambas reconhecidas. Gostava que falasses acerca do modo como entendes cada uma delas, no teu modo de escrita, e também em relação aos outros, ou seja como vês essas escritas para além da […]

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Do Ofício Poético como Alquimia

O poeta António Gedeão desapareceu há vinte anos. A sua última obra foi Memórias, uma magistral biografia, publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, 2010. Rómulo de Carvalho atravessou o século XX. Nascido no ano de 1906, o poeta conheceu uma vida discreta, longe dos salões literários, que nunca o atraíram. Foi, durante toda a sua vida, […]

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